Tuesday, July 25, 2006

A divisão do trabalho em angola

Introdução

O uso de algumas inovações técnicas dará lugar a uma reduzida especialização, dedicando-se alguns indivíduos mais à procura de pedra, madeira ou outros materiais e à manufactura de artefactos, deixando a prática da caça. As investigações históricas confirmam este primeiros indícios de organização de trabalho dentro dos grupos humanos.Chamou-se de trabalho a repartição diferenciada de tarefas entre os membros de uma comunidade. O trabalho é dividido pela sociologia em : como divisão biológica, divisão territorial e divisão social do trabalho. Com essa divisão do trabalho surgiram as primeiras formas de discriminação social. As mulheres por não se prestarem a serviços de uso da força eram consideradas menos importantes do que os homens.Toda a divisão de trabalho pode ser horizontal ou vertical . A primeira divisão é caracterizada pela especialização nas tarefas, sem haver nenhuma discriminação. Já a divisão vertical é hierárquica, portanto, injusta.


DESENVOLVIMENTO

Com o passar do tempo baseado nestas trocas nasce o ato "comércio", de início através do escambo, depois com formas mais sofisticadas. Para desenvolver o comércio estabeleceu-se a divisão regional do trabalho. Um grupo produzia um bem que no seu território fosse fácil de produzir; outro grupo fazia o mesmo; então negociavam entre si produções excedentes.O pleno desenvolvimento do comércio internacional só se deu com as civilizações. Mas, mesmo entre essas, houve aquelas que se encaminharam para a guerra, visando obterem bens escassos em seu território.A partir do século XIhouve domínio de territórios pouco explorados economicamente por seus habitantes e que impunham que produzissem bens inexistentes.Mesmo após a independência desses povos, tal estrutura econômica gerou o seu subdesenvolvimento.Os fenômenos extremamente importantes para a Sociologia só passaram a existir com nitidez a partir das primeiras civilizações angolanas . O poder estatal gerou a dualidade entre governantes e governados, portanto se tratava de uma extrema desigualdade entre grupos inteiros, independentemente de suas características naturais. Gerou-se então a origem das classes sociais, sejam elas estamentos, castas ou múltiplos estratos.O trabalho profissional iniciou-se de uma forma basicamente independente, ou seja, cada trabalhador sabia realizara tarefa inteira. Tal sistema foi alterado com o surgimento do mercantilismo.Surge então a automação, na qual a operação é feita pela máquina. Seu estágio atual é o da robotização. O problema é que tanta modernização diminuiu a presença de seres humanos nas fábricas.


A DIVISÃO DO TRABALHO A ECONOMIA E O ESTADO


A divisão do trabalho estava ainda muito pouco desenvolvida na economia recolectora, limitando-se a uma divisão natural e espontânea em virtude da força física, das necessidades ou do acaso. Embora não existam provas concretas, admite-se que uma divisão de tarefas tinha já lugar nas etapas iniciais do desenvolvimento humano. As fontes de preferência seriam as diferenças naturais quanto ao sexo e a idade, sem que isso conduzisse ao aparecimento de grupos especializados de pessoas com os seus interesses próprios, ou seja, a diferenças sociais. Os homens estariam mais virados para a caça ou pesca e para a manufactura de certos artefactos, que requeriam maior vigor físico, e as mulheres mais ocupadas com a colheita de sementes e frutos, a confecção dos alimentos ou o cuidar dos filhos.Esta divisão de trabalho dentro da comunidade não conduz ainda ao aparecimento de grupos inteiramente especializados de pessoas com os seus próprios interesses e, portanto, não origina diferenças de natureza social. Quanto muito, nas suas formas rudimentares dá lugar a um sistema de relações diferenciadas entre os indivíduos, que não assume ainda o significado duma divisão entre classes. O uso de algumas inovações técnicas dará lugar a uma reduzida especialização, dedicando-se alguns indivíduos mais à procura de pedra, madeira ou outros materiais e à manufactura de artefactos, deixando a prática da caça. As investigações históricas confirmam este primeiros indícios de organização de trabalho dentro dos grupos,humanos.


A DA DIVISÃO( SOCIAL ) DO TRABALHO EM ANGOLA


No modo de produção alimentar em Angola assiste-se, no decorrer de alguns milénios, a uma especialização progressivamente mais acentuada na utilização dos meios de trabalho com reflexos na separação entre o trabalho doméstico e de recolha de plantas, o trabalho agrícola e pastoril, a caça e a pesca, a extracção de silex e outras matérias-primas, a manufactura de artefactos. Aparecem os primeiros seres humanos que dedicam todo ou parte do seu tempo, duma forma predominante, a estas actividades.Não se trata já duma simples atribuição de tarefas com base na idade, no sexo ou na aptidão dos indivíduos, de acordo com as diferenças naturais entre os membros da comunidade, mas numa divisão de trabalho que se concretizou em várias áreas com os consequentes efeitos nas relações económicas e sociais entre os homens. Não será fácil estabelecer uma ordenação temporal nesta divisão social do trabalho.Com a introdução de pesados instrumentos agrícolas, o trabalho dos campos tornou-se demasiado árduo e a criação de gado demasiado perigosa. Este trabalhos passaram a estar mais reservados aos homens, que assim passam a deter uma maior intervenção na posse dos meios de trabalho e dos alimentos produzidos. Lavrar a terra é um trabalho mais duro e era feito pelos homens com a ajuda de animais de tracção. A evolução para a criação do gado transumante constituiu um factor decisivo dessa mutação. A criação de gado, a caça e o cultivo de cereais passaram a ser trabalhos essencialmente realizados por homens. Formaram-se campos de actividade nos quais o homem foi substituindo gradualmente a mulher, reservando esta a sua actividade para a recolha directa de plantas comestíveis, a horticultura ou a criação de animais domésticos, fiação ou tecelagem, o trabalho doméstico. Esta mudança deu lugar a uma divisão social de trabalho por sexos, com reflexo na posição social e na instituição da família.A continuação da caça e da pesca, a par da actividade agrícola, pastoril ou artesã, motivou uma separação e maior especialização daquelas actividades.

A procura de matérias-primas e a manufactura de artefactos de pedra, madeira ou osso e, mais tarde, a olaria e a cerâmica, originaram um tipo de especialização em actividades que se isolaram das restantes. À medida que a manufactura de utensílios e instrumentos de trabalho se torna mais complexa e intensa, certos indivíduos mais hábeis e engenhosos passam a dedicar a quase totalidade do seu tempo a essa tarefa. A especialização artesanal foi o resultado directo do sedentarismo e do desenvolvimento da produção agrícola. A separação entre a agricultura e o artesanato origina uma outra divisão social do trabalho.Em muitos casos, os artesãos continuaram a trabalhar por conta da colectividade, como ainda acontece actualmente, realizando-se a troca no seio da comunidade como situação excepcional. Os artefactos produzidos passaram a ser também objecto de permuta com outras camadas sociais, em vez de produzidos e consumidos apenas por toda a comunidade no seu conjunto. As tribos que povoam territórios dotados de ricas pastagens tendem a abandonar a agricultura em proveito da criação de animais, o que conduziu à existência dum grupo social definido que deu origem às comunidades nómadas. A criação de gado começa a formar um ramo produtivo diferente. As tribos pastoris separam-se das restantes dedicadas prioritariamente ao plantio ou à sementeira.


A DIVISÃO DO TRABALHO E A PRODUÇÃO DE BENS E CERVIÇOS


Os excedentes de produção de alimentos, possibilitaram o aparecimento de indivíduos total ou parcialmente dedicados a um trabalho mental e criativo que exerceu grande influência na expansão artística e científica e sobretudo no desenvolvimento dos mitos e religiões. Surge uma separação entre trabalho físico e intelectual e o aparecimento de indivíduos que não intervêm directamente na produção material, mas beneficiam na repartição comunal dos bens produzidos.Antes o angolano era simultaneamente caçador, recolector, artesão, pescador e guerreiro, exercendo a sua actividade em agrupamentos muito homogéneos. Com o novo tipo de vida os camponeses e os pastores exercem uma actividade mais isolada, as populações dos acampamentos ou das aldeias sentem-se indefesas e necessitam de protecção para si próprios e para os bens produzidos e guardados. Surge assim um grupo de guerreiros com a missão de defender as pessoas e os bens.Com os sacerdotes e os guerreiros criou-se uma nova actividade caracterizada pelos serviços prestados à comunidade por uma camada de indivíduos especializados que acabaram por vir a exercer um domínio na governação das tribos e das futuras aldeias.


A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NA DIVISÃO DE TAREFAS

Em relação aos assuntos do género, existe uma falta total de organização a nível do Governo, o que parece resultar essencialmente da falta de vontade política para questionar as relações de poder histórica e culturalmente definidas entre homens e mulheres. Assunto este que não é específico da realidade angolana, tendo uma dimensão global. A escassa informação qualitativa e quantitativa sobre as mulheres empresárias, a falta de um apoio concreto do Estado que introduza reformas nos códigos sobre a propriedade, sobre o acesso aos recursos e as novas tecnologias, dificulta a percepção dos comportamentos dos actores reais existentes no mercado angolano e a compreensão das características específicas da economia angolana. falar de desenvolvimento económico no contexto angolano significa fazer algumas adaptações do pensamento convencional sobre os problemas económicos. Um dos factores chave parece ser a aceitação da existência de um sector informal que controla, em parte, o desemprego e que contribui em larga medida para a melhoria das condições de vida da maioria da população. As unidades domésticas produzem uma parte substancial dentro e para a economia de mercado e é importante olhar para as relações económicas do ponto de vista da unidade doméstica, dentro da qual a mulher desempenha um papel predominante, que se torna mais visível no sector informal.Se de um ponto de vista económico-produtivo a mulher está sempre mais presente, ao mesmo tempo existem discriminações baseadas no género que resultam em desigualdades no acesso ao mercado de trabalho, à educação, aos recursos e aos rendimentos. Um dos caminhos a seguir poderia ser a introdução no modelo da economia de mercado das variáveis necessárias à eliminação das diferenças de rendimentos e de riqueza entre homens e mulheres.

A participação das mulheres no mundo do trabalho tem sido grandemente afectada pela estratificação do género e sexual quer dentro da família quer no mercado , que se justifica principalmente com assuntos ideológicos sobre os papéis sexuais e com a resistência à mudança mesmo quando esta é economicamente racional. As mudanças nas motivações das mulheres em relação ao trabalho não têm sido analisadas de maneira satisfatória pelos economistas, assim como as consequências das mudanças económicas necessárias aos indivíduos dentro da família. Trata-se, portanto, de injectar o género na análise teórica da disciplina económica. Há muitas razões para a aparente inércia na introdução do género na análise económica. Quando não existia a economia do desenvolvimento a abordagem do género era vista como não científica. Havia uma tendência generalizada e um esforço pela cientificidade que excluía “a priori” a análise de comportamentos de actores e a análise das actividades de não mercado. Foi na microeconomia que se iniciaram as pesquisas do género na análise do mercado do trabalho. Se consideramos o problema do emprego, neste contexto, temos que fazer as contas com uma realidade que nos apresenta um vasto panorama de actividades e actores que influenciam o fluxo das despesas e receitas da economia: os agregados familiares, os mercados, as empresas, os governos, outras instituições. Portanto, introduzir variáveis como o género na macroeconomia torna-se fundamental à compreensão da realidade do mercado angolano onde as mulheres constituem, a meu ver, uma estrutura de intervenção na sociedade, enquanto grupo de identidade em formação, e um grupo de pressão potencial que poderia ameaçar o neo-patrimonialismo do Estado angolano e favorecer o desenvolvimento.











CONCLUSÃO


O avanço no processo de divisão do trabalho em Angola contribuiu para um aumento do nível de produtividade com a consequente obtenção dum excedente de bens de consumo. O produtor deixou de se limitar a consagrar grande parte ou todo o seu esforço diário à garantia dos meios de subsistência. Esta mudança representou inevitavelmente profundas alterações na estrutura e no desenvolvimento económico e social, tornou-se a condição fundamental da divisão social do trabalho e gerou o embrião da formação posterior de classes sociais.Esta divisão de trabalho dentro da comunidade não conduz ainda ao aparecimento de grupos inteiramente especializados de pessoas com os seus próprios interesses e, portanto, não origina diferenças de natureza social. Quanto muito, nas suas formas rudimentares dá lugar a um sistema de relações diferenciadas entre os indivíduos, que não assume ainda o significado duma divisão entre classes.










































INDICE

1 – Introdução -----------------------------------------------------------------------------------------------

2 – Desenvolvimento ---------------------------------------------------------------------------------------

3 – A divisão do trabalho: A economia e o estado ----------------------------------------------------

4 – Divisão social do trabalho em Angola ---------------------------------------------------------------

5 – Conclusão -----------------------------------------------------------------------------------------------

6 – Bibliografia ----------------------------------------------------------------------------------------------







































Indicações bibliográficas

AKESSON, L. (1992) Análise sobre o género em Angola, ASDI, Luanda.
BENERIA, L. (1995) “Toward a greater integration of gender in Economics” in World Development, Great Britain.
BISILLIAT, J. (1989) Relations de genre et developpement, femmes et sociétés, Orstom, Paris.
BOSERUP, E. (1970) Woman´s role in economic development, St Martins Press, New York. BRYDON, L. e CHANT, S. (1989) Women in the third world, Gender issues in rural and urban areas, Biddles ltd. London. CAGATAY, N. ELSON, D. GROWN,C.(1995) “Introduction” in World Development, vol. 23, Elsevier Science ltd., Great Britain.